Técnico em Informática ou Técnico em Programação de Computadores?


Durante esta minha jornada (desde 2008) como professor do ensino profissional, fui acumulando algumas experiências importantes para minha atuação como docente e principalmente como cidadão incomodado com as perspectivas que o jovem tem no mercado de trabalho.

Em conversa com um colega professor, enquanto comentávamos os motivos pelos quais os alunos abandonavam o curso técnico em informática. Chegamos a conclusão que os motivos são diversos, por isso vou citar apenas alguns que achei os mais importantes:

  1. A denominação do curso – Isso mesmo meu caro leitor, o nome do curso. O termo Técnico em Informática costuma causar uma certa confusão para os jovens que procuram este curso. A principio eles acreditam que o técnico em informática irá prestar apenas serviços de manutenção de computadores, o que não é verdade, veja o que o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos diz: “Desenvolve programas de computador, seguindo as especificações e paradigmas da lógica de programação e das linguagens de programação. Utiliza ambientes de desenvolvimento de sistemas, sistemas operacionais e banco de dados. Realiza testes de programas de computador, mantendo registros que possibilitem análises e refinamento dos resultados. Executa manutenção de programas de computadores implantados”.
  2. Pré-requisitos insuficientes – Esse é um motivo polêmico e que gera discussões acaloradas toda vez que participo de uma reunião de professores. Alguns dizem que recebemos os alunos com problemas na formação escolar, com dificuldades básicas como por exemplo, realizar operações matemáticas simples e interpretação de texto. Estes professores defendem que o processo seletivo na educação profissional seja mais rigoroso e “filtre” os alunos, fazendo com que apenas aqueles com boa formação preencham as vagas oferecidas. Outros professores acreditam que a educação profissional deve ser para todos e não deve impedir que os alunos com formação deficiente tenham acesso aos cursos, e que devemos ajudar estes alunos a alcançar a competência necessária e exigida pelo mercado.
Durante minha conversa com o colega professor, concluímos também que há uma grande diferença entre o que o mercado de trabalho quer em relação a qualificação profissional e o aluno que estamos preparando para “encarar” a dura competição por uma vaga nas empresas. Este colega professor me contou que um ex-aluno que havia feito o curso Técnico em Informática estava trabalhando em uma empresa como Técnico em Manutenção e Suporte de Computadores.
Estamos formando um técnico com perfil voltado para a programação de computadores que vai competir com centenas de bacharéis e tecnólogos de nível superior formados todos os anos.
É preciso fazer uma pesquisa mais apurada sobre o que o mercado realmente  necessita em relação ao perfil do profissional. Dependendo do resultado desta pesquisa, é preciso alterar a oferta de cursos, focando esta necessidade.
Uma coisa ficou clara para min, após esta conversa, nós da educação profissional, as vezes nos deixamos levar pela nossa formação acadêmica a achar que sabemos muito sobre o mercado de trabalho. Mas é importante que de vez em quando “descer do nosso pedestal acadêmico” e “colocar os pés no chão da realidade”.  Sabemos que há espaço para todos no mercado de trabalho, mas é preciso ter cuidado ao analisar que tipo de profissional vamos qualificar.
E você caro leitor, o que acha deste assunto?

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2 Respostas para “Técnico em Informática ou Técnico em Programação de Computadores?

  1. Olá Professor Wendell
    Fiquei muito feliz com seu texto, já q encontrei aqui uma pouco da explicação que eu sempre quis sobre o curso no qual eu me formei (desde por que tanta evasão escolar, e quanto ao foco do curso).
    Realmente em nosso país, os jovens se confundem ao escolher o curso (quando eu entrei, confesso que passei por essa confusão), e desconhece o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.
    Acredito que, mais do que um processo seletivo mais rígido, é necessário um trabalho mais intenso de divulgação do processo e dos cursos, trabalho que teria que envolver estudantes, professores e técnicos administrativos.
    Infelizmente nesse cenário atual da educação no Brasil, penso que em qualquer nível escolar, principalmente a Educação Profissional deve sim, estar aberta a qualquer estudante, e dar as devidas condições para que todos conquistem a competência para o mercado de trabalho.
    Temos que lembrar que a Informática é uma área em constante desenvolvimento e crescimento, que envolve mudanças constantes, e que com certeza afeta o mercado, então é preciso ter sempre uma pesquisa de mercado para adequação e atualização dos cursos e do perfil do profissional formado.

    Abraços
    Rodolfo Gontijo

  2. Muito legal a sua iniciativa. Mas, professor, acredito que as coisas melhorariam, e muito, se a escola, como um todo, passasse a dar mais atenção aos alunos. Ainda hoje, vejo, nas instituições um verdadeiro descaso que, vai desde propagandas enganosas até aprovações automáticas. A indiferença só não se faz ausente no momento de pagamento das mensalidades com, muitas vezes, o adicional de apostilas extremamente caras. Por fim, a organização revela sua absoluta falta de empatia, quando diz que a responsabilidade do fracasso é totalmente do aluno.

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